23 de setembro de 2011

O sábado e os sepulcros caiados...

Lembra-te do dia de sábado... Seis dias trabalharás... Daqui a pouco começará um bombardeio na rede (Facebook). Sábado, sábado e sábado! É como se houvesse apenas um mandamento. Aliás, é como se houvesse apenas um pedacinho dele (1/7 da semana). Incrível como as pessoas se referem ao quarto mandamento como se ele se referisse apenas ao sábado. Quantos dos que "guardarão" o sábado, "trabalharão" no domingo? Há que se manter o sábado santo, assim como todos devem trabalhar os seis dias da semana. Lembremo-nos que existem 10 mandamentos e mais: que o quarto mandamento é bem mais do que apenas um dia da semana. Guardar o sábado e não cumprir o restante do mandamento (os seis dias) e não respeitar as pessoas, que também precisam guardar o sábado, é coisa feia. Algo típico dos membros da FCFA (Fé Cega, Faca Amolada), também conhecidos de uma forma aparentemente bela, mas podre: "sepulcros caiados..." Feliz sábado, especialmente para os que valorizam, por igual, todos os 10 mandamentos e principalmente o que de fato é fundamental: a essência da Justificação pela Fé.
Enéias Teles Borges

19 de setembro de 2011

Católico persegue três jovens adventistas...


Mudei-me para São Paulo no dia 11 de dezembro de 1979. Vim para um colégio interno e tinha como objetivos a conclusão do II Grau e cursar a faculdade de Teologia. Lembro-me que chegando a São Paulo eu estava interessado em comprovar a veracidade de uma profecia que ouvi na Igreja Adventista da cidade da qual vim. Era mais ou menos o seguinte: no final dos tempos os adventistas seriam perseguidos pelos católicos. Em São Paulo, na Catedral da Sé, existiam masmorras prontas para que os adventistas fossem presos e torturados a fim de que negassem a fé e profanassem o sábado.

Aqui chegando juntei-me com dois colegas e num domingo fomos até o centro de São Paulo para tentar conhecer tais masmorras. Lá chegando fomos gentilmente convidados a conhecer os pontos importantes da Catedral, incluindo os corredores subterrâneos. Não vimos masmorras, mas havia uma série de outras vias, cujo acesso era privativo. Cismamos que ali, naqueles locais de acesso privativo, estavam as malditas masmorras. Insistimos com a senhora, que nos guiava, para que nos deixasse entrar ali, pois sabíamos da existência de calabouços e afins. Ela, meio desconfiada, pensando que éramos trombadinhas bem vestidos, chamou o segurança que ao ouvir nossa reinvindicação ameaçou chamar a polícia. Diante disso nós começamos a correr e o segurança saiu, também correndo, atrás de nós três pelas escadas acima até que, em desabalada carreira, invadimos Praça da Sé e fugimos...

Outro dia lembrei-me deste episódio e entrei sozinho na Catedral da Sé e pensei: estou em 2011 e aquele episódio ocorreu no final de 1979. Lá eu reconheci o segurança, à época bem jovem e hoje um senhor de idade avançada. Pensei mais: quanta bobagem os adultos, partidários da FCFA (Fé Cega, Faca Amolada) nos fizeram acreditar.

De certa forma a profecia se cumpriu, pois um católico saiu em perseguição a três “destemidos” jovens adventistas...

Hoje, indo ao Fórum João Mendes, que fica atrás da Catedral, parei na Praça da Sé, num ponto que fica de frente para a Igreja e fiz uma foto, que ilustra esta postagem. Enchi-me de algo que mais parece nostalgia...

Enéias Teles Borges

14 de agosto de 2011

O umbigo do mundo

Os três textos a seguir foram extraídos do blogue "Convictos ou Alienados?", do mesmo editor deste aqui. Foram postagens seguidas, I, II e II, que serão coladas na mesma sequência aqui. São textos de 2008. Não atentarei para as regras da nossa lingua naquele ano, modificadas pela reforma ortográfica em andamento.


Umbigo do mundo - I

Lembro-me de uma ocasião em que o “umbigo do mundo” se manifestou de forma incisiva e clara. Ronald Reagan era o presidente dos Estados Unidos da América e o João Paulo II era o papa. A América do Norte estava saindo de uma recessão e o papa era popular no mundo inteiro.

O “umbigo do mundo” asseverou aos quatro cantos o que estava para acontecer: a junção da política com a religião. Essa era a profecia. O “umbigo do mundo” via nisso o grande sinal vindo dos céus em sua direção. Aviso divino para ele, o importantíssimo “umbigo do mundo”.

Não faz muito tempo houve uma calamidade. Tsunami e milhares de mortes. Eis uma do “umbigo do mundo”: “aviso de Deus para que ele, “umbigo do mundo”, ficasse preparado”. Que aviso eloqüente! Quantos morreram para que o “umbigo do mundo” ficasse ciente do aviso? Trezentas mil pessoas?

Outra do “umbigo do mundo”: o papa Bento XVI nos Estados Unidos. Eis que o nosso personagem vislumbrou novo aviso: “Deus nos alerta, o poder político está de mãos dadas com o poder religioso”. O “umbigo do mundo” nem se deu conta de que o representante do poder político era nada mais, nada menos do que George W. Bush, o mais impopular presidente da história americana! Para o “umbigo do mundo” isso faz pouca diferença. Quem de fato importa é ele, “senhor umbigo do mundo”, para quem tudo acontece apenas para que ele fique atento...

O “umbigo do mundo” está de volta! A combinação é Bento XVI e Barak Hussein Obama. A mistura é claríssima, para ele, o “umbigo do mundo”. Bento XVI, segundo ele, “senhor umbigo”, é um papa surpreendente. E Obama é negro, com sobrenome ligado ao islã, simpatizante da virgem Maria, enfim um líder nato e com tendências ecumênicas...

Amigo leitor preste atenção de agora em diante. O “umbigo do mundo” vociferará, profetizará e o tempero você já sabe: o papa e o novo presidente americano.

O “senhor umbigo do mundo” tem os ingredientes ideais e não tenha dúvida: ele os utilizará.

Aguardemos...


Umbigo do mundo - II
 
Quando se fala da atenção de uma divindade para determinado grupo de pessoas o que surge como interrogação é a questão da Justiça divina. Seria possível um ser criador privilegiar um grupo especial em detrimento de outros? Caso assim ocorra qual seria o objetivo final?

Um estudo cristão protestante, escudado no antigo povo israelita, denotaria que aquela nação foi escolhida para receber mensagem especial e retransmiti-la ao mundo. Em “miúdos” diríamos que o antigo Israel foi escolhido para ser uma bênção para os demais povos.

Conclui-se, portanto, que os escolhidos são portadores da mensagem especial. Notem que “são portadores” o que difere, em muito, de “são detentores”.

Eis aí algo que derruba a tese do “umbigo do mundo”. Esse ente egocêntrico parece não entender o “espírito da coisa”. Tudo que acontece no mundo é um aviso para que ele, “umbigo do mundo” se proteja contra as ações deletérias dos “homens maus” que perseguirão o suposto “remanescente de Deus”.

Seria assim mesmo? O povo remanescente não deveria ver nos sinais dos tempos os eventos essenciais motivadores do testemunho ao mundo? Seria o caso de ficar preocupado com “perseguição” ou alegre por saber que o momento de testemunhar de forma universal estaria chegando?

O “umbigo do mundo” não pensa assim e não quer que seja assim. É como se os céus fossem exclusividade dele e que os “homens maus” querem persegui-lo. Perseguir por quê? O “umbigo do mundo” responde: “Somos um povo especial, que será perseguido por ser especial, que sofrerá por ser especial, que vencerá por ser especial...”

Notaram a tônica? Em nenhum momento o “umbigo do mundo” denota que ser um povo especial é ser um povo escolhido para testemunhar. Tal testemunho visa ao bem estar dos que “estão fora”, para que venham receber, de graça, a mensagem de fé e de esperança...

Como seria bom se o “umbigo do mundo” voltasse a enxergar os fatos pelo ponto de vista histórico! Como seria bom se esse grupo que se diz especial abandonasse de vez o egocentrismo que insta em ir e vir...

Aguardemos mais um pouco e logo mais veremos a realidade dos acontecimentos. Observem como o “umbigo do mundo” haverá de extrair de Obama e Bento XVI os próximos capítulos dos eventos finais e especiais.

Eventos finais e especiais? Sim! Isso mesmo! Claro que tudo voltado para ele o “umbigo do mundo”.

Continua...

Umbigo do mundo - III
 
As opiniões acerca dos dois textos o “umbigo do mundo” são curiosas e divergentes. O mais interessante é que o título pareceu para alguns como espécie de “carapuça” que, tendo sido lançada ao ar, caiu na cabeça de quem se julgou o alvo. Na realidade tal procedimento reforça a tese que tenho sobre o “umbigo do mundo”: sendo um ente egocêntrico sempre se considerará como alvo de qualquer sugestionamento (uma pena que muitos insistem em comentar apenas por e-mail).

Um pergunta que se eleva é: quem afinal, pode ser considerado como o “umbigo do mundo”? Eis aí algo notável! Essência do proselitismo que está contida em todas as agremiações religiosas.

Eu, por exemplo, cresci numa que tem como referência de “perseguição” religiosa um dia da semana (o sábado). Tal dia, que aparentemente sobrepuja até mesmo a divindade, será a referência de fé e lealdade no futuro. Será tido como vencedor aquele que, por conta da manutenção da santidade desse dia, estiver disposto a passar por qualquer sofrimento para que se “guarde tal dia”. Notem que essa “perseguição” está projetada para o futuro, quando poderes religiosos e políticos tomarão atitudes conspiratórias contra esse povo e esse dia.

Existem outros que já se julgam perseguidos hoje. São os que militam tendo como estandarte a “não transfusão de sangue”. Tal grupo, mesmo hoje, teria motivos para asseverar que é o maior perseguido pelo poder temporal e com anuência do poder religioso. Muitas vezes a transfusão de sangue é feita via força judicial, não é assim?

Há outros que se sentem perseguidos por conta do que chamamos de radicalismo. Lembram-se de 11 de setembro? Vocês podem imaginar a que ponto chega o “umbigo do mundo” que se sente na obrigação de purificar a humanidade através da violência (se necessário for)? Já imaginaram egocentrismo tão brutal?

Leitor amigo: o “umbigo do mundo” é aquele que se considera como alvo preferencial da observação da divindade; crendo plenamente que tudo o que ocorre no universo é para que ele, “umbigo do mundo” mantenha absoluta atenção e esteja preparado. Não importa quantos sofrerão ou morrerão! O que mais importa é que ele “umbigo do mundo” esteja pronto para lutar, sofrer e no fim vencer. Para ele, “umbigo do mundo”, o universo inteiro conspira a seu favor e essa imensidão incomensurável geme tão somente por ele...

Por hora pararei com esses tópicos, mas não sem antes deixar um convite à reflexão. Notem o quanto a cultura religiosa (não é religião) pode ser perniciosa ao incutir na mente das pessoas a idéia sempre permanente da exclusividade. Cada segmento “puxa a sardinha” para o seu lado. É como se houvesse uma disputa constante pela preferência divina. Parece-nos claro que a agremiação que conseguir “arrazoar” melhor será a nação eleita, povo escolhido, jóia divina, objeto único da misericórdia de Deus. Não é o que parece transmitir cada cultura religiosa?

Quanto egocentrismo! E tudo na forma do que insistem (equivocadamente) em chamar de religião...

Enquanto isso eu sugiro que continuem observando as análises que o “umbigo do mundo” continuará fazendo, tendo como “pano de fundo” o papa Bento XVI e o presidente americano, recém eleito, Barak Hussein Obama!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 31/08/10

14 de julho de 2011

Mensagens de um pastor adventista

Seguem, para leitura e meditação, especialmente para os adventistas, dois textos do blogue "Saúde, Saber e Virtude", de Cleiton Heredia. Os textos dizem tudo, não há o que acrescer.

1. Aceite a Jesus hoje porque amanhã você pode estar morto!
2: Quando o perdão se confunde com a impunidade.

Enéias Teles Borges - Editor deste Blogue

22 de junho de 2011

Decreto Dominical - Será que é agora?

Autor: Cleiton Heredia

Para os leitores deste blog que não estão familiarizados com os ensinamentos e doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, irei dar uma rápida explicação sobre o que é este "Decreto Dominical":

Os Adventistas do Sétimo Dia, baseados nos Dez Mandamentos relacionados no livro de Êxodo capítulo 20, mais precisamente no 4º mandamento, entendem que o sétimo dia da semana (o sábado) foi separado por Deus como um dia santo ou sagrado. Eles defendem a ideia de que o sábado foi observado como santo pelos primeiros cristãos convertidos do judaísmo e do paganismo no 1º e 2º séculos, porém com as várias mudanças que foram introduzidas no cristianismo ao longo da história, muitas heresias ou ensinamentos não bíblicos passaram a fazer parte dos dogmas cristãos, entre eles, a mudança do sábado para o domingo legislada pelo supostamente convertido, Imperador Constantino, no ano 321 d.C.. Eles interpretam as profecias do livro do profeta Daniel capítulo 7 e 8 como predições destas mudanças, e interpretam as profecias neo-testamentárias do livro de Apocalipse, mais precisamente no capítulo 13, como um registro profético de mais mudanças que ocorrerão antes da Volta de Jesus, onde haverá uma obrigatoriedade global imposta pelos governos mundiais para a observância do domingo como um dia separado para o descanso. Ainda com base nas suas interpretações das profecias de Apocalipse eles entendem que esta imposição tem um caráter conspiratório que envolverá uma tríplice união de poderes, tendo o próprio Diabo como seu mentor e líder, mancomunado com os Estados Unidos da América do Norte, representando o protestantismo apostatado, e o Vaticano, representando a Igreja Católica Apostólica Romana. Os adventistas usam muito os textos da sua profetisa Ellen G. White, que prenuncia este decreto dominical desde 1858, inclusive afirmando que ocorrerá uma mudança na constituição norte-americana para que a liberdade religiosa naquele país não seja mais absoluta e assim possam ser criados meios de obrigar seus cidadãos a aceitarem este decreto. Eles afirmam que todos que aceitarem o domingo imposto por este decreto estará recebendo a marca da besta e terá perdido a sua salvação para sempre.

Desculpem se ficou muito extenso, mas este é o melhor resumo que pude fazer.

Bem, mas porque estou tocando neste assunto?

A razão é que desde ontem está circulando na mídia interna dos adventistas a notícia de que nesta segunda-feira (dia 20/06) a European Sunday Alliance (Aliança Europeia para o domingo - ESA) promoveu em Bruxelas, Bélgica, uma conferência sobre a proteção do domingo como jornada não laborável, sob o título "O valor agregado da sincronização do tempo livre".

A ESA é uma rede de alianças nacionais formadas por sindicatos, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas, entre as quais também se encontram a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) e a Conferência das Igrejas Europeias (KEK). Entre os temas tratados estão a segurança dos trabalhadores, o equilíbrio entre trabalho e vida profissional com a vida familiar, e a importância do fim de semana para a vida comunitária. Os organizadores assinalam que "o encontro procura informar os responsáveis políticos europeus sobre a importância de um tempo de qualidade sincronizado não só no aspecto cultural dentro do patrimônio europeu, mas também como um importante fator de construção da Europa social: uma UE consciente das exigências de seus cidadãos".

Será que a interpretação profética dos adventistas está correta e estamos realmente bem próximos da imposição de um decreto dominical que selará o destino eterno da raça humana?

Veja o que diz um proeminente defensor dos adventistas, Michelson Borges:

"O decreto dominical (praticamente o último sinal da iminência da volta de Jesus) será promulgado pelos Estados Unidos, mas essas iniciativas na Europa podem ser consideradas um ' 'ensaio' desse ato final. Quando a lei for aprovada pelos norte-americanos, os europeus (e certamente a maioria das pessoas nos demais continentes) a acatarão facilmente. E o ECOmenismo está aí para fornecer uma razão lógica para aqueles que não querem nada com religião (portanto, receberão a marca da besta na mão – estude Apocalipse 13). Estes dias são solenes; devemos aproveitar a calmaria que antecede a tempestade; como diz o pastor Erton Köhler: 'Jesus tem pressa de voltar.'"

Talvez a primeira pergunta que vem à cabeça de alguém que está tendo um primeiro contato com esta teoria de conspiração seja: Mas e como ficam os 1,5 bilhões de mulçumanos (25% da população mundial) que observam a sexta-feira como um dia santo e não estão nem aí para esta briga entre os cristãos?

Fui adventista por mais de 40 anos e nunca encontrei uma resposta satisfatória para esta pergunta. O máximo que consegui de explicação foi: Isto é um mistério que será revelado por Deus oportunamente.

Então tá! Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Nota: Texto extraído do blogue de Cleiton Heredia, que se formou em Teologia no ano de 1985. Fomos colegas de classe.

Enéias Teles Borges

20 de junho de 2011

O velho IAE não merece isso!

Lamentavelmente a situação constrangedora insta em persistir. A despeito do esforço dos poucos e interessados defensores da Colina Iaense, os ladrões de galinha seguem usufruindo o benefício da negligência dos líderes do UNASP/SP. Imaginem, meus amigos, que houve mais um prejudicado. Pela segunda vez, refiro-me à mesma pessoa, furtaram um notebook. Imaginem perder dois equipamentos de uso particular e profissional, num espaço de tempo que não foi tão grande assim...

Aconteceu como vem acontecendo com todos: uma rápida saída do local e quando retornou a bolsa, com tudo o que dentro havia, tinha sido surrupiada (fica a sensação que existem raposas cuidando do galinheiro). Mesmo modus operandi.

De pouco ou de nada adiantou a Notificação Extrajudicial enviada aos diretores, professores e afins. Que vergonha! Será que a Instituição precisará aprender, na prática, o que significa “Responsabilidade Objetiva”? Será que o barulho promovido pela minoria, que lança mão do alheio, haverá de seguir prevalecendo em razão do silêncio dos omissos diretores e funcionários?

O velho IAE não merece isso!

Enéias Teles Borges

10 de junho de 2011

Na Colina do Velho IAE, quem diria?

Caros amigos e amigas,

O longo texto abaixo deve ser entendido como desabafo. Opinem, caso considerem importante opinar, especificamente sobre o tema que foi tratado.

Enéias Teles Borges

São Paulo, 31 de maio de 2011.


Notificação Extrajudicial – UNASP/SP

Prezados Diretores e Funcionários

Sirvo-me da presente para trazer ao conhecimento dos senhores o que adiante seguirá. Destaco, como introdução, que o fito primordial da presente Notificação Extrajudicial é simples e objetivo: conclamar a Instituição a uma reflexão e, num segundo momento, chamar à ação.

1. No dia 30 de maio do corrente ano, ocorreu neste Centro, mais uma vez, um episódio altamente constrangedor. Causa mal-estar não apenas o fato em si, mas a reincidência que, deletéria, insta em não ser combatida de forma peremptória.

2. Minha filha, Aline Maia Borges, que estuda nesta instituição há longos anos, desde o período pré-escolar, que concluiu o ensino médio no ano de 2010 e que no momento segue no Curso Técnico de Música, de Piano e de Violão no Conservatório Musical, foi surpreendida ao notar que sua bolsa foi violada. De tal ato resultou a subtração de valor em dinheiro, Bilhete Único utilizado no deslocamento da Faculdade “PUC” até este lugar de educação quase secular. Também foi furtado o seu aparelho dispositivo móvel celular.

3. É bom que se frise que o prejuízo material é o de menor importância neste momento. Ocorre que além de não ter sido a primeira vez é possível, numa singela mensuração, detectar que fatos nocivos e desta magnitude têm surpreendido outras pessoas que militam ou que estudam neste “campus”.

4. Um acontecimento desagradável, como este, traz gosto amaro à boca e à vida de uma pessoa, como no meu caso, que conhece muito bem este centro do saber. Trata-se de instituição de fabulosa reputação, mas que está a permitir arranhões em sua boa fama. Sabe-se que de arranhão em arranhão acaba-se por chegar à má fama indesejável e vexatória.

5. Algo precisa ser feito. Algo efetivo. Não apenas os apelos, não apenas as orações, não apenas a conscientização. Resta claro que esforços precisam ser envidados imediatamente. Não apenas em face da urgência, mas em razão dos princípios e postulados defendidos pela comunidade adventista. De que adianta “educar para a eternidade”, desprezando pontos importantes da educação do cotidiano? Quem não consegue se destacar no pouco (educação terrena), como lograria sucesso no muito (educação para a eternidade)? Seria, indubitavelmente, a essência da contradição, acreditar que a ineficácia no ínfimo não avilta a suposta eficácia dirigida às alturas...

6. Minha história na Instituição tem longa data: afinal além do ensino médio eu cursei a Faculdade de Teologia nesta escola. Minha esposa é enfermeira pós-graduada neste magnífico lugar, minhas duas filhas passaram todo o ensino regular nesta Colina e a mais nova segue usufruindo a qualidade ímpar deste meio tradicional, ao se dedicar ao aprendizado adstrito à boa música.

7. O que esperar, então, das pessoas que fazem parte deste contexto? Não importa se são funcionários ou alunos, visitantes ou afins. Todos os que ousam pisar o calçadão deste “lugar único” têm a obrigação de procurar viver à altura das tradições locais. Cumpre à Instituição adotar medidas preventivas e eficazes para que tal tradição seja inteiramente respeitada. Sem medo e sem omissão. O exercício da Lei se faz necessário. É sabido que a Lei existe para proteger os bons dos atos danosos promovidos pelos maus. Há, portanto, que se inibir a ação de pessoas que atentam contra os bons costumes e que têm praticado atos antijurídicos asquerosos. Não se discute o “quantum” material e sim o absurdo moral que acaba prevalecendo.

8. Creiam-me: é vergonhoso saber que tem ocorrido além da conta. Uma vez é muito, o que dizer de reiteradas vezes? Não é razão para que todos os que habitam este centro de excelência se sintam, como eu, profundamente envergonhados? Não é desagradável saber que as pessoas precisam se deslocar o tempo todo, inclusive rumo aos banheiros, lanchonetes, levando seus pertences, tão somente pelo medo da ordinária subtração? Eu ficaria satisfeito se soubesse que não sou único nesta escalada contra o mal. Seria importante que fosse dado um basta, de cima para baixo, da direção para os dirigidos. Ou será que os mais graduados estão se safando destes miseráveis ladrões de galinha? Sei, simplesmente porque sei: que os que possuem cargos já passaram, entre os muros do UNASP, por um momento estranho assim, em que alguém (ou mais de um), qual rato de esgoto que se esgueira, e com ares de vitorioso, tenha lançado mão do que não lhe pertence.

9. Saliento e saliento de novo: o menor problema é o dano material. Há que se tomar atitude coletiva. Afinal um delinquente não se inicia no mundo do crime praticando atos vultosos. Um ladrão de meia tigela de hoje, se não coibido, será o grande assaltante de amanhã. Razão pela qual aqueles que permitem os pequenos delitos do presente serão, de forma justificada, taxados merecidamente de culpados quando amanhã, aqueles que estiveram sob suas mãos começarem a praticar, em grande escala, o que “estagiaram” num lugar tão renomado. Aí não haverá diferença entre o bandido e aquele que se omitiu.

10. Tendo em mente tudo isso e crendo que o barulho desta minoria ruidosa e bandida está prevalecendo, principalmente, em razão do silêncio da maioria “do bem”, eu me propus redigir esta “apertada síntese”. O faço em forma de Notificação Extrajudicial (para que no futuro não se diga que não se sabia). Enviarei cópia às pessoas que, querendo, poderão tomar providências para que tais atos não mais se repitam, a saber: ao Reitor, à Diretoria local, inclusive à do Conservatório Musical, ao chefe de segurança e mais algumas pessoas de notável senso crítico e vontade de fazer as coisas certas, simplesmente porque assim devem ser feitas (refiro-me, por exemplo, ao pastorado da igreja, do campus e afins).

11. Faço questão de deixar claro que não ataco a reputação deste renomado Centro. Ao contrário disso eu me uno contra quem está jogando na lama tal conceito, que foi erguido a contar de 1915. Insurjo-me contra os que consideram os fatos ocorridos como inevitáveis e “comuns nos dias de hoje”. O erro (por menor que seja), jamais poderá ser tratado como algo corriqueiro em nosso meio e nisso acredito que estamos todos de acordo.

12. Renovo minha satisfação por ter sido aluno desta Escola, por ter sido funcionário na Colina e por ter sido, inclusive de forma pública, uma pessoa que jamais se omitiu no momento em que pessoas com propósitos escusos tentaram promover atos antiéticos e danosos ao velho IAE.

13. Renovo, muito mais, minha esperança de que haja um movimento contra o avanço de tais posturas iníquas. Aí será possível asseverar que, ao contrário da USP e outros centros acadêmicos, houve uma ferrenha luta para coibir a ação dos biltres, dos mesmos ordinários que só fazem, reiteradamente, aquilo que é contra o Direito, porque encontram facilidade para a prática repetitiva dos delitos.

Deixo, de forma atenciosa, meus protestos de estima e de consideração.

Enéias Teles Borges
Pai e Advogado