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3 de junho de 2013

Sobre o não julgar...


"Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7: 1)

Será que muitas pessoas, diante de postagens “que conspiram contra as suas ideias”, usam o verso acima para aplicar a famigerada “lição de moral”?

Seria correto alguém usar tal verso? Quando um indivíduo se serve do versículo para apontar supostos erros dos outros, não estaria indo contra o próprio sentido das palavras de Cristo? Ao sugerir que “alguém está julgando” ele, o tal moralista, não estaria fazendo julgamento e, logo, incorrendo no erro que temerariamente supõe ver nas outras pessoas?

É assim mesmo! O verso contido no livro de Mateus só pode ser efetivamente proferido pelo próprio Cristo. Qualquer ser humano que o utilizar, apontando para outrem, estará fazendo o desprezível julgamento ao qual o texto se refere. Não seria assim?

Semelhantemente o vivente que sai por aí dizendo estar preocupado com a vida espiritual dos outros, não seria um prepotente sem se dar conta disso (Notem que não estou afirmando e sim perguntando.)? Somente uma pessoa que se julga em alto nível espiritual poderia cometer os seguintes erros capitais:

1. Está fazendo avaliação própria de sua espiritualidade. Em tese quem poderia fazer tal avaliação não seria Deus?

2. Sem conhecer o interior dos demais, não estaria a cometer o equívoco de avaliá-los espiritualmente, tendo como parâmetro a sua própria espiritualidade? Quem é capaz de ver o interior das pessoas? Não seria Deus?

Então como alguém poderia se preocupar com “a vida espiritual” de terceiros e sobre isso opinar? Quem poderia citar as palavras contidas no Evangelho de Mateus sem estar julgando?

Enéias Teles Borges

30 de abril de 2012

A morte de um colega do seminário

O pastor adventista  Elcio  Wordell, de 57 anos, que por sete anos atuou em Sidrolândia,  foi assassinado ontem  à tarde (27/04/2012) dentro de uma loja em São Sebastião,  cidade – satélite de Brasília.  Ele foi morto durante um assalto, quando depositava recursos de dízimo da congregação onde atua, segundo informações da Polícia Militar. A PM conseguiu prender quatro suspeitos do crime em flagrante, enquanto fugiam do local. A polícia suspeita que o crime tenha sido premeditado.

Por volta das 17h, o pastor foi até uma agência bancária que funciona dentro de madeireira da Quadra 203, bairro Residencial Oeste. Ele portava valores recolhidos na igreja, e teria feito o depósito pouco antes do anúncio do assalto, segundo a polícia.

O cabo da PM José Airton Barbosa  passava perto do local do crime quando escutou um disparo. “Fomos até a próxima rua, quando vimos três homens correndo. Testemunhas nos apontaram a vítima caída, com um tiro na nuca, e fomos atrás dos três suspeitos”, afirma.

Pouco depois, o policial avistou o trio entrando em uma caminhonete S10. A viatura conseguiu interceptar o veículo, quando os homens teriam jogado revólveres calibre 38 e 32 pela janela do carro. “Capturamos os suspeitos e fizemos a revista, mas depois achamos as armas no caminho”, completou.

A PM afirmou que vítima teria se assustado no momento do assalto, mas não informou se chegou a reagir à ação dos criminosos. Apurações preliminares apontaram que o atirador seria M.J.O.B., de 22 anos. Há suspeita de que um dos assaltantes seja familiar de um fiel da igreja, o que teria ajudado os bandidos a obter informações sobre o depósito.

Um dos participantes, A.F.M., de 35 anos, tinha passagem por latrocínio. Também foi preso o suspeito S.N.L.N., de 27 anos, dono do carro, que seria o responsável pelo fornecimento das armas. Se forem indiciados por latrocínio, os suspeitos podem pegar de 12 a 30 anos de prisão.  Hoje, movimentos sociais da cidade realizam a primeira Pedalada pela Paz, em memória das vítimas da violência.


Nota: Formei-me, em 1985 (Teologia no antigo IAE), na mesma turma do Elcio Wordel. Sinto demais pelo ocorrido. Fato que mostra quão perto estamos da morte e do sofrimento que vem em seguida. Segundo fui informado, ele é o terceiro colega de formatura que perdemos. Dois envolvidos em acidentes de carro e agora ele, por homicídio. O que mais desejamos é que a família suporte a dor e dê continuidade à vida. O que podemos dizer de especial num momento assim?

Enéias Teles Borges

14 de abril de 2012

Semana de Oração - Unasp SP


Hoje nós fomos à Igreja do Unasp. Para o segundo culto. Início de Semana de Oração. O orador: Benedito Muniz. Trabalhou, durante anos, como pastor na IASD e atualmente é consultor de empresas. Pratica evangelismo leigo.

O sermão de hoje teve como versos principais os que estão contidos no capítulo 2 do livro de Gênesis. Versos 15 a 17. Trabalhou a seguinte ideia: por que o homem não foi fulminado logo após ter pecado? Não ficou claro que o dia em que comesse do fruto proibido, certamente morreria?

A partir daqueles versos ele começou a discursar acerca do perdão temporal e do perdão eterno. Perdão temporal é aquele que permitiu ao homem continuar vivendo. Permite, também, vida para todos os seres humanos (quer creiam nisso ou não). Usufruir do perdão temporal independe de escolha. Resulta da graça. Todos deveriam morrer. Adão e Eva deveriam ter morrido imediatamente. Todos gozaram e gozam do poder do perdão temporal. O ser humano não precisa saber disso, não precisa escolher, não precisa acreditar. Querendo ou não, a vida que detém é decorrente da graça. Quanto ao perdão eterno todos nós sabemos. Depende de confissão. Depende do interesse humano em aceitar ou rejeitar.

O resumo é bem simples: perdão temporal é um guarda-chuva sob o qual todos estão. Perdão eterno depende de questão ética, de interesse, de confissão, de escolha de rejeição e afins. O sermão foi um ensaio geral da doutrina da salvação, sob o ponto de vista conservador dos ASD.

Na realidade eu esperava, julgando pela maneira como o sermão foi introduzido, que o orador caminharia em outra direção. Que daria linhas gerais sobre o perdão (temporal e eterno) e que, em seguida, mostraria o perigo sob o qual a IASD está. Eu cria que ele falaria acerca do sincretismo religioso, da influência perniciosa da contrafação (bem misturado com o mal), do pentecostalismo prostituído, que mostraria a todos que a IASD está desaprendendo a doutrina da salvação. Não foi nada disso! Pelo que a semana de oração tende a prometer, não será adotada essa linha de postulados.

Uma pena!

Benedito Muniz é da velha guarda dos teólogos adventistas. Tem formação escudada no adventismo histórico (sem a influência dos anos 1980, Conferência Geral de Dallas). Eu esperava mais, porque ele tem muito a oferecer.

Vida que segue, ou que precisa seguir...

Enéias Teles Borges

26 de novembro de 2011

Momentos de cão sarnento

Texto completo, publicado em cinco partes, no meu blogue "carro-chefe" CONVICTOS OU ALIENADOS?, no ano de 2008.

Parte - I

Ele veio para São Paulo. O objetivo era estudar. Pagaria os estudos com o trabalho no colégio interno. No dia 11 de dezembro de 1979 ele chegou à portaria da instituição e foi bem recebido. Tinha 17 anos e enorme expectativa quanto ao futuro: como aluno, como operário e quem sabe até como pastor. Daquele dia em diante ele se empenhou muito para merecer a oportunidade restrita a poucos.

No trabalho dedicou-se tanto que foi considerado como um dos raros que davam lucro à fábrica. Trabalhou no setor de torrefação de cevada e por conta disso carrega até hoje um pigarro. Trabalhava com disposição dobrada nos finais de semana. Começava a militar do por de sol do sábado até a tardezinha do domingo. Sentia sono, mas também se sentia satisfeito por fazer o melhor. Era tudo muito cansativo, mas realizante. A noite inteira na torrefação de cevada e no domingo, depois do almoço, trabalhava na padaria até o final das atividades. Essa foi a forma encontrada para acumular algumas horas extras. As receberia em dinheiro ou as usaria para visitar os familiares...

Nos estudo ia muito bem. Chegou para cursar o segundo ano de contabilidade e a despeito da enorme luta destacou-se. No terceiro bimestre existiam apenas três alunos no segundo grau com cem por cento de notas azuis. Ele era um. No final daquele ano ele foi o único a concluir o curso com notas altas e nenhuma vermelha. Ganhou um apelido na escola: “o garoto das notas azuis”.

Foi promovido para o setor administrativo. Não foi conduzido por métodos políticos. Fez parte de um grupo de alunos indicados pela professora de contabilidade. No teste foi aprovado e o único a seguir para aquele setor. Destacou-se ocupando cargos antes exercidos apenas por funcionários. No vestibular para a faculdade de teologia passou com facilidade e ingressou no curso. Até o segundo ano trabalhou na escola e pagou os estudos com o trabalho: todos os dias, à tarde, e no domingo era o dia inteiro. Bom conceito no trabalho, excelentes notas na faculdade. Era freqüentador assíduo da biblioteca, à noite e da sala de oração, antes de dormir.

A partir do terceiro ano viajou (nas férias) para vender livros e até que se deu bem. Na cidade mineira de Itabira conseguiu valor suficiente para pagar o semestre à vista e ainda guardar um pouco. No meio do ano foi mais longe: Altamira no Pará. Deu-se muito bem e principalmente quando palestrou e vendeu livros no Batalhão de Infantaria da Selva daquela região. Pagou a escola à vista e guardou valores para o último ano. Nem precisaria vender livros no ano seguinte. Mesmo assim retornou a Itabira, Minas Gerais e vendeu produtos alimentícios na cidade. Ministrou palestras para os funcionários da Companhia Vale do Rio Doce. Pagar a escola virou moleza... Foi possível até comprar uma casinha simples para seus pais.

Formou-se e recebeu quatro convites para trabalhar, sendo três para pastorear igrejas e um na área administrativa. Convites da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo. Preferiu aceitar o convite da área administrativa na própria instituição na qual estudara e trabalhara.

Percorreu todos os caminhos como aluno e agora como funcionário até alcançar o cargo de contador. O mais novo a chegar ao posto até então. Com o aditivo de que era solteiro, algo praticamente impossível de se imaginar naqueles idos. Alcançou o cargo máximo que lhe era possível galgar com 26 anos de idade e com apenas quatro anos de casamento. A partir dali não existiria mais função a ser alcançada. Recebeu convite para assumir a diretoria de uma unidade fabril. A instituição não o liberou...

Até hoje guarda algumas lembranças (certificados e afins): a de melhor contador naquela região imensa que incluía vários estados do Brasil e a avaliação de que era uma das cinco maiores promessas para cargos elevados naquela organização mundial. Era considerado um modelo de administrador para o futuro. Capacidade profissional e total zelo às questões da fé. Ocupava cargo de liderança na igreja local...

Tudo corria bem até que chegou ao lugar um indivíduo. Hoje, sem dúvida, considerado (por quem observa com cuidado) como sendo enviado especial de um ser sobrenatural. O ano foi o de 1989 e o complicador ocorreu no segundo semestre.

O dia “D” ele não guardou na memória, mas lembra-se que sete pessoas entraram em sua sala e lhe mostraram papéis e relatórios que denotavam fraude. Valores (bolsas) de uma instituição de saúde que eram destinados a alunos carentes estavam sendo desviados. Os alunos assinavam documentos imaginando que recebiam determinados montantes como bolsa escolar, mas seus nomes e assinaturas eram usados para desviar valores maiores. A diferença ia para o bolso do famigerado indivíduo que chegou à instituição em 1989...

As sete pessoas pediram para que agisse e de preferência como pastor, conversando firmemente com aquele que conspirava contra os bons costumes. O desvirtuado deveria devolver os valores afanados, procurar o pastor, historiando os fatos e, por fim, ser remanejado imediatamente para longe dos recursos financeiros. Demissão? Seria por conta da mesa diretiva...

Ele agiu como pastor. E aí residiu o erro. Não se combate a bandidagem com o pastorado. Mas como alguém tão novo e ingênuo poderia agir diferente?

Ele não desistiu. Procurou todos os que podiam tomar providências e como nada aconteceu, como deveria, ele tomou a última medida pastoral.

Levantou-se na congregação, num sábado, e expôs o problema para a membresia.

O que aconteceu depois? O início de uma história de dor, decepção, corrupção, maldade e ausência absoluta de religião...

Essa história tem como título: “momentos de cão sarnento”.

Quem seria o cão sarnento? Aquele mesmo que ao longo de dez anos superou metas e trabalhou com esmero. Que exercitou fé e a razão.

Os momentos de cão sarnento tiveram início no segundo semestre de 1989. Presentes do lado de cá: um pastor desolado, com 27 anos e uma esposa com três meses de gravidez.

Os momentos de cão sarnento tiveram do lado de lá: um diretor geral omisso, um diretor administrativo conivente, um financeiro que se apropriava de bens alheios e muitos, mas muitos indiferentes. Existem outros personagens que apareceram ao longo dos momentos de cão sarnento: um jurista, um professor, um dublê de político e outros corporativistas de plantão...

Como estão, hoje, os envolvidos nesse episódio? O que de bom trouxeram para a comunidade? Causaram constrangimento no meio? Viveram e vivem dentro dos padrões estabelecidos pelo contexto moral-religioso? Como vivem com as suas famílias? Trouxeram opróbrio à comunidade? Envolveram-se com casos policiais? Em adultério contumaz? Famílias duplas?

Em doses homeopáticas esse blogueiro apresentará com certa nostalgia os “momentos de cão sarnento”, de 1989 até os dias atuais...

Continua...

Parte - II

Cães sarnentos e cachorros de rua! Em geral são uns vira-latas sem donos e sem casas. Os cães de rua são desprezados e muitas vezes espancados, maltratados, usados como aperitivo para cachorros de briga. O cão sarnento está num estágio pior. Nem para a maldade tem serventia. Haveria de estragar a boca e dentes dos briguentos profissionais! Quem se aproximaria de um animal pestilento? Não é apenas um ser de rua, sem valor e sem bandeira. Trata-se de uma criatura desprezível e nojenta, que causa repulsa e gastura. Amargar o desprezo é cardápio que se repete na rotina desse tipo de vivente. A dor e o caos são os temperos do alimento diário...

Imaginem um animal que antes era bem quisto, limpo, perfumado e que de repente do conforto da casa é lançado na sarjeta hedionda da vida. Em lugar da água limpa a lama. Em vez do perfume a peste que toma conta do corpo. O físico, antes bem nutrido, torna-se flácido e horripilante. O cheiro cresce de forma insuportável. Vive a se coçar e lançar na atmosfera fungos e outras imundícies. Impossível olhar para animal assim e não se encher de asco.

Antes da sarjeta ele tinha companhia e afagos. Passava de colo em colo. Era beijado e cheirado. Agora não tem companhia e leva pedrada. Não sabe mais o que é aconchego afetivo. Ninguém o beija (que nojo!) e o odor pútrido não pode ser aspirado pelas narinas dos sadios...

O ser humano também tem seus dias de cão. Tem momentos especiais, aqueles típicos do cão sarnento.

O nosso personagem humano, como se sabe, experimentou do conforto merecido e passou a conviver com o lado obscuro de um segmento social que se considera modelo. Tal qual canino sarnento, que agora vê o mundo por outro prisma, o nosso personagem começou a enxergar o que existia debaixo do véu. Antes ele, que era figura carimbada em encontros e “dançarás”, foi remetido ao desterro. Sua casa, que vivia repleta de gente “do bem”, viu-se deserta de corpos e de almas.

Interessante: a face oculta dum setor corporativista só pode ser enxergada quando confrontada com realidades que se diferem, situações que se divergem. Os mesmos que antes gargalhavam passaram a exibir um sorriso amarelo, um olhar de peixe morto. Algo sem vida e melancolicamente real. Agora sim a realidade mostrava-se indubitável. E que realidade horrível! Horrível e muito horrível, amarga e muito amarga.

O amargor remete a específicos momentos de cão sarnento...

Nosso personagem, meses antes da queda, exercia função diretiva comandando chefes de setores. Os mesmos que submetiam suas realizações diárias a um crivo sério, mas leal. Não havia possibilidade de “puxada de tapete”, eles sabiam que assim funcionava. Não havia trairagem. Podiam confiar no jovem comandante.

Havia um desses subalternos, o que mais se acercava para mostrar serviço, que denotava ser muito íntimo, insurgia-se como o mais chegado. Chefiava um setor emergente e em franco crescimento nos lucros. Aquele departamento era uma espécie de menina dos olhos. Passara a funcionar num novo local, novo mesmo, cheirando a tinta fresca...

Depois da queda do chefe escafedeu-se! Nunca mais se mostrou. Não chorou, não acendeu vela. Não apareceu! Nem mesmo para xingar ou cuspir. Nada!

Um dia andando nas proximidades do largo treze, em Santo Amaro, bem atrás do Bradesco da Adolfo Pinheiro, nosso personagem que ia na direção daquela agência o avistou. Eis que ele vinha em sentido contrário. Ambos se viram! Impossível que os olhares não se cruzassem...

Mas quem não muda de calçada quando se defronta com um cão sarnento? Pois aquele antigo subordinado mudou de lado na rua e fingiu não ver quem de lá vinha. E mais: simulou estar perdido a olhar para a parede de uma loja, como se lá houvesse algo para ser visto...

Nosso personagem experimentou atitudes similares a essa por dias, semanas, meses e anos! Os mesmos que no prato comeram, nele passaram a cuspir. Cuspir? Nem mesmo isso. Quem cuspiria em algo que pertencesse a um cão sarnento? Não se queima vela em velório de defunto ruim, não se bate em cachorro morto e não se atenta para um fósforo riscado... Ao cão sarnento um destino que a tudo isso supere! A ele o desprezo e a desonra!

Nesses dias de cão sarnento aquele que no dia 11 de dezembro de 1979 entrou pela porta da frente da instituição notou, tristemente, que foi jogado na sarjeta e pela porta dos fundos...

Teve, porém, algo novo: a visão além do alcance. Algo que não é peculiar num cão bem tratado. A visão de cão sarnento lhe permitiu notar o que existia atrás dos sorrisos, dos tapinhas nas costas, das supostas orações de fé e dos discursos retóricos. Pôde enxergar o que só se observa em momentos indescritíveis vividos por um cão sarnento: a hipocrisia reinante, que está sempre bem vestida, penteada, perfumada e que se dirige semanalmente aos centros de comunhão e de louvor...

Continua...

Parte - III

Naquele primeiro mês a situação fervia “que nem” óleo em temperatura elevadíssima. Havia uma comoção sem fim. De uma maneira geral o que se pensava era lógico: onde há fumaça há fogo. Para muitos a coisa era pior do que parecia e para outros não era tudo assim. De qualquer modo não existia convicção de que estava tudo certo. O que causava mal-estar era simples: se estava tudo errado por que o cidadão tido como corrompido continuava em atividade? E se estava certo por que o denunciante não foi disciplinado eclesiasticamente pela apresentação de falso testemunho? O desconforto era montanhesco!

Por aqueles dias apareceu na casa do “cão sarnento” um senhor idoso, nascido no sul do Brasil, pastor aposentado. Segundo suas próprias palavras ele costumava atuar como bombeiro em situações e “que tais”. Depois de aposentado ele já havia exterminado incêndios gigantescos. Estava ali para apagar mais um. Disse ao nosso personagem que a iniciativa da visita partira de pessoas simpáticas à denúncia e que, segundo ele, queriam a solução correta para a lide e a reintegração do frustrado personagem ao trabalho, mesmo que em outra praça.

Ouviu a versão do lado de cá e assumiu o compromisso de retornar dois dias depois com soluções que, segundo suas palavras, deveriam ser de conformidade com a causa do denuncismo. Denuncismo, disse ele, que garbosamente insurgira-se contra a falta de vergonha do famigerado operador dos recursos, daquela instituição com mais de 70 anos de existência. Disse, à despedida, que já conhecia a fama do degenerado que antes de vir para São Paulo deixara suas digitais no departamento anterior, em outra unidade da federação.

Dois dias depois, numa pontualidade britânica o bombeiro retornou. Cabeça baixa, olhar abatido e com uma lista na mão. Tinha consigo os dezessete nomes de funcionários que seriam demitidos caso não houvesse um recuo do sarnento cão que instava em continuar latindo. Eram dezessete ex-colegas. Como prova de força demitiram três e os catorze seguiriam pelo mesmo rumo nos dias seguintes...

Havia uma “promessa”: caso houvesse um recuo os catorze não seriam demitidos e os outros três reintegrados ou alocados para outros pontos.

Começaram a surgir os efeitos da sarna do cão: ele que estava sendo corroído pela pestilência agora via os efeitos nefastos de seu estado pútrido sendo estendidos para outros viventes do meio. Três já estavam em estado terminal e catorze a caminho da UTI. O cão sarnento sentiu-se terrivelmente abalado. As circunstâncias que estavam no fundo do abismo começaram a notar o abismo se aprofundando em si mesmo...

Que loucura! O corporativismo implementado pelos carcarás sanguinolentos funcionava como um torniquete! Sentiram, os abutres, que o cão, por mais sarnento que ficasse, não haveria de recuar. Estava doente, mas seguia destemido. A artilharia foi estrategicamente remanejada na direção de terceiros. O efeito imaginado surtiu efeito. O cão sarnento ficou descadeirado. Naquela noite teve dificuldades atrozes. Não dormiu, não comeu, ficou quase entregue...

Os três demitidos, encontravam-se sorumbáticos, mas nada cobraram e até se sentiram honrados. Dos catorze ameaçados três debandaram. Dos onze restantes dois grupos se formaram. Aqueles que insistiram para que não houvesse recuo, ainda que eles também fossem demitidos.

O problema emergiu com força quando outros pediram para que houvesse a debandada. Eram pais de família com filhos ainda crianças e esposas em fase de estudo naquela instituição. Seria um prejuízo indescritível! Uma maldade imensurável...

Saibam, meus amigos, que cão sarnento, mesmo sendo muito corajoso, não deixa de ter coração a bater no peito. Notou que deveria carregar, sozinho, a pesada cruz. Deixou claro: abriria mão dessa luta momentânea, mas jamais desistiria da batalha final. Nosso personagem fez um pedido, protestando pela readmissão dos três afastados.

Observem: o remanejamento dos três demitidos foi o único fogo que aquele pastor idoso, de cabelos grisalhos, vindo do sul do Brasil conseguiu apagar.

As dezessete pessoas da lista do pastor grisalho têm histórias distintas que poderão ser descritas. Nosso personagem de forma objetiva aponta o que aconteceu com os três que debandaram de lado (mais detalhes, quem sabe, adiante): um foi exonerado por manter, durante vários anos, uma amante quase na própria casa. Outro, que era casado, por optar por procedimentos homossexuais. O terceiro foi expulso de casa pela esposa por envolvimento simultâneo com outras três mulheres casadas da comunidade dos fiéis...

Parece exagero? Esperem até saber os desdobramentos com os demais e em especial com aquele: o enviado especial das hostes espirituais da falta de decoro.

Continua...

Parte - IV

E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés (Mateus 10:14).

Muitas pessoas perguntam ao nosso personagem como ele ainda conseguiu freqüentar aquele meio. Sabe-se que lá a membresia, de um modo geral, é bem intencionada. Como também é sabido que existe uma minoria ruidosa, que pratica o mal, sob a capa da aparência do bem e que na realidade final é quem dita as regras e estabelece o procedimento. Essa minoria não funciona como difusora de opiniões, mas como formadora de pontos de vista, agindo de forma ditatorial.

De fato foi sofrido, para o cão sarnento, continuar indo e vindo por ali. Mas o contexto o obrigou a certas atitudes. Como já salientado a maioria ali militante é de boa índole incluindo o corpo docente. Considerando que tanto ele como a esposa cursaram faculdades lá, seria natural que os filhos usufruíssem da educação ministrada, que independe, na medida do possível, da influência dos carniceiros ou, como queiram, abutres insaciáveis do pasto que não acaba.

A dificuldade do nosso personagem sempre foi a da freqüência às reuniões tidas como “sacras sabáticas”. Ali, sim, os bons e os maus bebem lado a lado. Cordeiros e lobos, pessoas dos bem e bandidos, gente pura e fornicadores extraconjugais contumazes, crédulos e incrédulos, ateus e criacionistas, teóricos da fé e praticantes sistemáticos dos bons costumes. Nada que não exista em outros lugares. O problema é que ali não é lugar para “disfarces sacrílegos”.

A propósito disso o nosso personagem já tem até uma nova série em andamento que terá como título “Contos do Esconderijo”, que espelharão de forma irrefutável algumas barbaridades desrespeitosas praticadas por dirigentes e influentes dali. Em “Contos do Esconderijo” será possível vislumbrar, por exemplo, historieta ligada a um influente líder, que a despeito de manter a fonte cinqüentenária não abriu mão de uma acadêmica e mais: depois de se esbaldar o dia inteiro, numa sexta-feira, esteve na Santa Ceia entre os que partiram o pão. Afinal é comunidade apenas ou um dos melhores esconderijos da terra?

Acontece em outros lugares? Sim, mas para o cão sarnento isso faz muito mal, pois sempre isso tudo o remete aos idos de 1989, suas mazelas e lágrimas, quando os partidários da indecência administrativa faziam de forma similar.

A propósito do texto de ontem, alguns esclarecimentos:

(1) Quando o cão sarnento se pronunciou na tribuna eclesiástica deixou claro que tinha buscado guarida na administração e que agora buscava tutela eclesiástica. Sabe-se que uma disciplina ou exclusão promovida pela membresia forçaria demissão dos envolvidos.

(2) Salientou que em caso de novo desinteresse em resolver a lide o assunto sairia daquele contexto. A roupa seria lavada fora de casa. O que de fato começou a acontecer. De sorte que o recuo exigido, do cão sarnento, foi exatamente esse: parar já o que tinha sido iniciado, permitindo manobras que impediriam a implosão do corporativismo.

(3) Outro ponto que precisa ser destacado: os atos lesivos estavam sendo praticados por apenas uma pessoa, mas seu superior imediato, que fazia “tráfico de influência” externo perante fornecedores ficou “emparedado”. Não tinha idoneidade suficiente para agir. A velha história do rabo preso!

(4) A instituição, de uma maneira geral ficou em situação precária. Grande parte dos recursos que entravam era usada na própria instituição, mas em finalidades diferentes daquelas que seriam obrigatórias desde a origem.

(5) O cão sarnento, entre a espada e a parede, foi posto em “estado de férias”. Nada recebeu de recursos financeiros trabalhistas, saldo de salários, férias, nada! A ordem era forçá-lo ao desespero (voltaremos a isso). Logrou êxito em ação judicial e somente em 2003 (muitos anos depois) recebeu suas verbas rescisórias.

Como devem ter notado o texto de hoje tem como fito a tentativa de clarear alguns pontos e impedir que os maus sejam beneficiados, ao mesmo tempo em que os bons não sejam maculados.

O ponto positivíssimo nisso tudo foi o aumento significativo de visitas de “usuários únicos” no blog, além do número crescente e constante das visitas de usuários antigos. Lamentavelmente alguns comentários não puderam ser liberados e entre eles os postados por anônimos e usuários com identificação “laranja”. As observações postadas por pessoas cadastradas e que mostrem “a cara” serão publicadas. As ponderações por e-mail serão respondidas, desde que os remetentes se identifiquem de forma séria e que utilizem correios eletrônicos oriundos de provedores pagos.

Agradeço a todos que se solidarizam. Saibam que não estou praticando autópsia em cadáver velho, mas tentando mostrar às pessoas que é possível ser violentamente e injustamente massacrado e mesmo assim continuar acreditando na decência. O que é mais importante: poder (sempre) olhar para os familiares e para todas as pessoas diretamente dentro dos olhos.

Para aqueles que estão pleiteando (saudosos ou frustrados) mensagens reflexivas uma notícia: inaugurei um novo blog: CULTURA E RELIGIOSIDADE. O objetivo naquele espaço democrático será o de ponderar acerca da grande diferença que existe entre “religião” e “cultura religiosa”. Serão textos voltados apenas para assuntos ligados aos dois temas que intitulam o blog. O desenho da página por lá ainda é simples. Mais adiante usarei um “template” melhor.

Continua...

Parte - V

O tema “Momentos de cão sarnento” chega ao quinto e último texto. Mais adiante será retomado sob os títulos “Momentos de Ostracismo” e “Contos do Esconderijo”. Por hora é só, mesmo porque o blog precisa seguir o seu caminho principal. Essa página não tem caminho único, mas fixa-se no plano precípuo do convite permanente à reflexão e de formas variadas.

Como devem ter percebido a vida pode pregar peças nas pessoas. Tudo é muito dinâmico. Num momento alguém é a sensação positiva, no outro é lançado às feras. Quem está em pé deve cuidar para não cair. No meio tido como religioso, com ênfase em algum tipo de filosofia de vida, o perigo é constante, mas nem sempre é visível. Tudo levaria a crer que trabalhar num ambiente assim é um magnífico sonho profissional, mas analisando os bastidores, nota-se que não é bem assim. Estrela fulgurante hoje, estrela candente no dia seguinte.

Estamos em momentos eleitorais nos municípios brasileiros e lá, pelas bandas, dos que se julgam os únicos remanescentes do verdadeiro povo de Deus. Os bastidores têm funcionado 24 horas por dia e na calada da noite planos são elaborados. Esse humilde blogueiro tem recebido de uns e de outros algumas perguntas do tipo: “sabe de alguma coisa quente?” Os bastidores da “fé” são podres como todos os demais. Não é defeito exclusivo do nosso contexto. É típico do ser humano.

O que sobra, depois do incêndio, é a certeza de que a vida deve continuar para os que sobreviveram. Existem pessoas que dependem da parcela de ação de cada um. Ninguém é uma ilha e de uma forma ou de outra influencia o meio. O fito principal deve ser “influenciar para o bem”. Qual bem? Aquele que contempla a maioria merecedora e carente. O bem anda de mãos dadas com a justiça social.

De 1989 para cá muita água correu debaixo da ponte. Reflexões vieram nas noites de muitos. Quem, caso pudesse retornar no tempo, daria traços diferentes a essa pintura dantesca? O que aconteceu não pode ser mudado, mas há necessidade de ação com hombridade! Resquício mínimo de moral deve existir. Pessoas devem admitir o erro, ainda que não possam mais mudar o curso do ocorrido. Apostar na ação erosiva do tempo é característica reinante no meio omisso.

Enquanto “a bola não rola” na direção necessária do “gol”, nosso personagem segue seu caminho. Trata-se de uma pessoa repleta de erros e de virtudes. Há que se ressaltar: entre os seus erros nunca esteve o famigerado vício da omissão! 

Nota: O famigerado ser, que foi o principal promotor de toda a problemática, foi demitido da Instituição (Hospital) na qual trabalhava. Motivo: um filho fora do casamento, descoberto em razão de uma ação jurídica de alimentos. O tempo, senhor da razão, julgou, muitos anos depois,  os eventos ocorridos em 1989, trazendo à tona o que efetivamente aconteceu nos bastidores. Ainda hoje encontro pessoas, que quando passam por mim, abaixam a cabeça. Não mais para fugirem de um cão sarnento, mas pela vegonha do comportamento vil e covarde que tiveram naquela época. Pessoas que se julgavam cumpridoras dos deveres morais e éticos, mas que quando foram confrontadas com a realidade dura, curvaram-se diante de baal. Você acha que os omissos e coniventes da época se desculparam? Você ainda acredita em Papai Noel?

Enéias Teles Borges - Autor e Personagem principal da história.

14 de agosto de 2011

O umbigo do mundo

Os três textos a seguir foram extraídos do blogue "Convictos ou Alienados?", do mesmo editor deste aqui. Foram postagens seguidas, I, II e II, que serão coladas na mesma sequência aqui. São textos de 2008. Não atentarei para as regras da nossa lingua naquele ano, modificadas pela reforma ortográfica em andamento.


Umbigo do mundo - I

Lembro-me de uma ocasião em que o “umbigo do mundo” se manifestou de forma incisiva e clara. Ronald Reagan era o presidente dos Estados Unidos da América e o João Paulo II era o papa. A América do Norte estava saindo de uma recessão e o papa era popular no mundo inteiro.

O “umbigo do mundo” asseverou aos quatro cantos o que estava para acontecer: a junção da política com a religião. Essa era a profecia. O “umbigo do mundo” via nisso o grande sinal vindo dos céus em sua direção. Aviso divino para ele, o importantíssimo “umbigo do mundo”.

Não faz muito tempo houve uma calamidade. Tsunami e milhares de mortes. Eis uma do “umbigo do mundo”: “aviso de Deus para que ele, “umbigo do mundo”, ficasse preparado”. Que aviso eloqüente! Quantos morreram para que o “umbigo do mundo” ficasse ciente do aviso? Trezentas mil pessoas?

Outra do “umbigo do mundo”: o papa Bento XVI nos Estados Unidos. Eis que o nosso personagem vislumbrou novo aviso: “Deus nos alerta, o poder político está de mãos dadas com o poder religioso”. O “umbigo do mundo” nem se deu conta de que o representante do poder político era nada mais, nada menos do que George W. Bush, o mais impopular presidente da história americana! Para o “umbigo do mundo” isso faz pouca diferença. Quem de fato importa é ele, “senhor umbigo do mundo”, para quem tudo acontece apenas para que ele fique atento...

O “umbigo do mundo” está de volta! A combinação é Bento XVI e Barak Hussein Obama. A mistura é claríssima, para ele, o “umbigo do mundo”. Bento XVI, segundo ele, “senhor umbigo”, é um papa surpreendente. E Obama é negro, com sobrenome ligado ao islã, simpatizante da virgem Maria, enfim um líder nato e com tendências ecumênicas...

Amigo leitor preste atenção de agora em diante. O “umbigo do mundo” vociferará, profetizará e o tempero você já sabe: o papa e o novo presidente americano.

O “senhor umbigo do mundo” tem os ingredientes ideais e não tenha dúvida: ele os utilizará.

Aguardemos...


Umbigo do mundo - II
 
Quando se fala da atenção de uma divindade para determinado grupo de pessoas o que surge como interrogação é a questão da Justiça divina. Seria possível um ser criador privilegiar um grupo especial em detrimento de outros? Caso assim ocorra qual seria o objetivo final?

Um estudo cristão protestante, escudado no antigo povo israelita, denotaria que aquela nação foi escolhida para receber mensagem especial e retransmiti-la ao mundo. Em “miúdos” diríamos que o antigo Israel foi escolhido para ser uma bênção para os demais povos.

Conclui-se, portanto, que os escolhidos são portadores da mensagem especial. Notem que “são portadores” o que difere, em muito, de “são detentores”.

Eis aí algo que derruba a tese do “umbigo do mundo”. Esse ente egocêntrico parece não entender o “espírito da coisa”. Tudo que acontece no mundo é um aviso para que ele, “umbigo do mundo” se proteja contra as ações deletérias dos “homens maus” que perseguirão o suposto “remanescente de Deus”.

Seria assim mesmo? O povo remanescente não deveria ver nos sinais dos tempos os eventos essenciais motivadores do testemunho ao mundo? Seria o caso de ficar preocupado com “perseguição” ou alegre por saber que o momento de testemunhar de forma universal estaria chegando?

O “umbigo do mundo” não pensa assim e não quer que seja assim. É como se os céus fossem exclusividade dele e que os “homens maus” querem persegui-lo. Perseguir por quê? O “umbigo do mundo” responde: “Somos um povo especial, que será perseguido por ser especial, que sofrerá por ser especial, que vencerá por ser especial...”

Notaram a tônica? Em nenhum momento o “umbigo do mundo” denota que ser um povo especial é ser um povo escolhido para testemunhar. Tal testemunho visa ao bem estar dos que “estão fora”, para que venham receber, de graça, a mensagem de fé e de esperança...

Como seria bom se o “umbigo do mundo” voltasse a enxergar os fatos pelo ponto de vista histórico! Como seria bom se esse grupo que se diz especial abandonasse de vez o egocentrismo que insta em ir e vir...

Aguardemos mais um pouco e logo mais veremos a realidade dos acontecimentos. Observem como o “umbigo do mundo” haverá de extrair de Obama e Bento XVI os próximos capítulos dos eventos finais e especiais.

Eventos finais e especiais? Sim! Isso mesmo! Claro que tudo voltado para ele o “umbigo do mundo”.

Continua...

Umbigo do mundo - III
 
As opiniões acerca dos dois textos o “umbigo do mundo” são curiosas e divergentes. O mais interessante é que o título pareceu para alguns como espécie de “carapuça” que, tendo sido lançada ao ar, caiu na cabeça de quem se julgou o alvo. Na realidade tal procedimento reforça a tese que tenho sobre o “umbigo do mundo”: sendo um ente egocêntrico sempre se considerará como alvo de qualquer sugestionamento (uma pena que muitos insistem em comentar apenas por e-mail).

Um pergunta que se eleva é: quem afinal, pode ser considerado como o “umbigo do mundo”? Eis aí algo notável! Essência do proselitismo que está contida em todas as agremiações religiosas.

Eu, por exemplo, cresci numa que tem como referência de “perseguição” religiosa um dia da semana (o sábado). Tal dia, que aparentemente sobrepuja até mesmo a divindade, será a referência de fé e lealdade no futuro. Será tido como vencedor aquele que, por conta da manutenção da santidade desse dia, estiver disposto a passar por qualquer sofrimento para que se “guarde tal dia”. Notem que essa “perseguição” está projetada para o futuro, quando poderes religiosos e políticos tomarão atitudes conspiratórias contra esse povo e esse dia.

Existem outros que já se julgam perseguidos hoje. São os que militam tendo como estandarte a “não transfusão de sangue”. Tal grupo, mesmo hoje, teria motivos para asseverar que é o maior perseguido pelo poder temporal e com anuência do poder religioso. Muitas vezes a transfusão de sangue é feita via força judicial, não é assim?

Há outros que se sentem perseguidos por conta do que chamamos de radicalismo. Lembram-se de 11 de setembro? Vocês podem imaginar a que ponto chega o “umbigo do mundo” que se sente na obrigação de purificar a humanidade através da violência (se necessário for)? Já imaginaram egocentrismo tão brutal?

Leitor amigo: o “umbigo do mundo” é aquele que se considera como alvo preferencial da observação da divindade; crendo plenamente que tudo o que ocorre no universo é para que ele, “umbigo do mundo” mantenha absoluta atenção e esteja preparado. Não importa quantos sofrerão ou morrerão! O que mais importa é que ele “umbigo do mundo” esteja pronto para lutar, sofrer e no fim vencer. Para ele, “umbigo do mundo”, o universo inteiro conspira a seu favor e essa imensidão incomensurável geme tão somente por ele...

Por hora pararei com esses tópicos, mas não sem antes deixar um convite à reflexão. Notem o quanto a cultura religiosa (não é religião) pode ser perniciosa ao incutir na mente das pessoas a idéia sempre permanente da exclusividade. Cada segmento “puxa a sardinha” para o seu lado. É como se houvesse uma disputa constante pela preferência divina. Parece-nos claro que a agremiação que conseguir “arrazoar” melhor será a nação eleita, povo escolhido, jóia divina, objeto único da misericórdia de Deus. Não é o que parece transmitir cada cultura religiosa?

Quanto egocentrismo! E tudo na forma do que insistem (equivocadamente) em chamar de religião...

Enquanto isso eu sugiro que continuem observando as análises que o “umbigo do mundo” continuará fazendo, tendo como “pano de fundo” o papa Bento XVI e o presidente americano, recém eleito, Barak Hussein Obama!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 31/08/10

20 de junho de 2011

O velho IAE não merece isso!

Lamentavelmente a situação constrangedora insta em persistir. A despeito do esforço dos poucos e interessados defensores da Colina Iaense, os ladrões de galinha seguem usufruindo o benefício da negligência dos líderes do UNASP/SP. Imaginem, meus amigos, que houve mais um prejudicado. Pela segunda vez, refiro-me à mesma pessoa, furtaram um notebook. Imaginem perder dois equipamentos de uso particular e profissional, num espaço de tempo que não foi tão grande assim...

Aconteceu como vem acontecendo com todos: uma rápida saída do local e quando retornou a bolsa, com tudo o que dentro havia, tinha sido surrupiada (fica a sensação que existem raposas cuidando do galinheiro). Mesmo modus operandi.

De pouco ou de nada adiantou a Notificação Extrajudicial enviada aos diretores, professores e afins. Que vergonha! Será que a Instituição precisará aprender, na prática, o que significa “Responsabilidade Objetiva”? Será que o barulho promovido pela minoria, que lança mão do alheio, haverá de seguir prevalecendo em razão do silêncio dos omissos diretores e funcionários?

O velho IAE não merece isso!

Enéias Teles Borges

10 de junho de 2011

Na Colina do Velho IAE, quem diria?

Caros amigos e amigas,

O longo texto abaixo deve ser entendido como desabafo. Opinem, caso considerem importante opinar, especificamente sobre o tema que foi tratado.

Enéias Teles Borges

São Paulo, 31 de maio de 2011.


Notificação Extrajudicial – UNASP/SP

Prezados Diretores e Funcionários

Sirvo-me da presente para trazer ao conhecimento dos senhores o que adiante seguirá. Destaco, como introdução, que o fito primordial da presente Notificação Extrajudicial é simples e objetivo: conclamar a Instituição a uma reflexão e, num segundo momento, chamar à ação.

1. No dia 30 de maio do corrente ano, ocorreu neste Centro, mais uma vez, um episódio altamente constrangedor. Causa mal-estar não apenas o fato em si, mas a reincidência que, deletéria, insta em não ser combatida de forma peremptória.

2. Minha filha, Aline Maia Borges, que estuda nesta instituição há longos anos, desde o período pré-escolar, que concluiu o ensino médio no ano de 2010 e que no momento segue no Curso Técnico de Música, de Piano e de Violão no Conservatório Musical, foi surpreendida ao notar que sua bolsa foi violada. De tal ato resultou a subtração de valor em dinheiro, Bilhete Único utilizado no deslocamento da Faculdade “PUC” até este lugar de educação quase secular. Também foi furtado o seu aparelho dispositivo móvel celular.

3. É bom que se frise que o prejuízo material é o de menor importância neste momento. Ocorre que além de não ter sido a primeira vez é possível, numa singela mensuração, detectar que fatos nocivos e desta magnitude têm surpreendido outras pessoas que militam ou que estudam neste “campus”.

4. Um acontecimento desagradável, como este, traz gosto amaro à boca e à vida de uma pessoa, como no meu caso, que conhece muito bem este centro do saber. Trata-se de instituição de fabulosa reputação, mas que está a permitir arranhões em sua boa fama. Sabe-se que de arranhão em arranhão acaba-se por chegar à má fama indesejável e vexatória.

5. Algo precisa ser feito. Algo efetivo. Não apenas os apelos, não apenas as orações, não apenas a conscientização. Resta claro que esforços precisam ser envidados imediatamente. Não apenas em face da urgência, mas em razão dos princípios e postulados defendidos pela comunidade adventista. De que adianta “educar para a eternidade”, desprezando pontos importantes da educação do cotidiano? Quem não consegue se destacar no pouco (educação terrena), como lograria sucesso no muito (educação para a eternidade)? Seria, indubitavelmente, a essência da contradição, acreditar que a ineficácia no ínfimo não avilta a suposta eficácia dirigida às alturas...

6. Minha história na Instituição tem longa data: afinal além do ensino médio eu cursei a Faculdade de Teologia nesta escola. Minha esposa é enfermeira pós-graduada neste magnífico lugar, minhas duas filhas passaram todo o ensino regular nesta Colina e a mais nova segue usufruindo a qualidade ímpar deste meio tradicional, ao se dedicar ao aprendizado adstrito à boa música.

7. O que esperar, então, das pessoas que fazem parte deste contexto? Não importa se são funcionários ou alunos, visitantes ou afins. Todos os que ousam pisar o calçadão deste “lugar único” têm a obrigação de procurar viver à altura das tradições locais. Cumpre à Instituição adotar medidas preventivas e eficazes para que tal tradição seja inteiramente respeitada. Sem medo e sem omissão. O exercício da Lei se faz necessário. É sabido que a Lei existe para proteger os bons dos atos danosos promovidos pelos maus. Há, portanto, que se inibir a ação de pessoas que atentam contra os bons costumes e que têm praticado atos antijurídicos asquerosos. Não se discute o “quantum” material e sim o absurdo moral que acaba prevalecendo.

8. Creiam-me: é vergonhoso saber que tem ocorrido além da conta. Uma vez é muito, o que dizer de reiteradas vezes? Não é razão para que todos os que habitam este centro de excelência se sintam, como eu, profundamente envergonhados? Não é desagradável saber que as pessoas precisam se deslocar o tempo todo, inclusive rumo aos banheiros, lanchonetes, levando seus pertences, tão somente pelo medo da ordinária subtração? Eu ficaria satisfeito se soubesse que não sou único nesta escalada contra o mal. Seria importante que fosse dado um basta, de cima para baixo, da direção para os dirigidos. Ou será que os mais graduados estão se safando destes miseráveis ladrões de galinha? Sei, simplesmente porque sei: que os que possuem cargos já passaram, entre os muros do UNASP, por um momento estranho assim, em que alguém (ou mais de um), qual rato de esgoto que se esgueira, e com ares de vitorioso, tenha lançado mão do que não lhe pertence.

9. Saliento e saliento de novo: o menor problema é o dano material. Há que se tomar atitude coletiva. Afinal um delinquente não se inicia no mundo do crime praticando atos vultosos. Um ladrão de meia tigela de hoje, se não coibido, será o grande assaltante de amanhã. Razão pela qual aqueles que permitem os pequenos delitos do presente serão, de forma justificada, taxados merecidamente de culpados quando amanhã, aqueles que estiveram sob suas mãos começarem a praticar, em grande escala, o que “estagiaram” num lugar tão renomado. Aí não haverá diferença entre o bandido e aquele que se omitiu.

10. Tendo em mente tudo isso e crendo que o barulho desta minoria ruidosa e bandida está prevalecendo, principalmente, em razão do silêncio da maioria “do bem”, eu me propus redigir esta “apertada síntese”. O faço em forma de Notificação Extrajudicial (para que no futuro não se diga que não se sabia). Enviarei cópia às pessoas que, querendo, poderão tomar providências para que tais atos não mais se repitam, a saber: ao Reitor, à Diretoria local, inclusive à do Conservatório Musical, ao chefe de segurança e mais algumas pessoas de notável senso crítico e vontade de fazer as coisas certas, simplesmente porque assim devem ser feitas (refiro-me, por exemplo, ao pastorado da igreja, do campus e afins).

11. Faço questão de deixar claro que não ataco a reputação deste renomado Centro. Ao contrário disso eu me uno contra quem está jogando na lama tal conceito, que foi erguido a contar de 1915. Insurjo-me contra os que consideram os fatos ocorridos como inevitáveis e “comuns nos dias de hoje”. O erro (por menor que seja), jamais poderá ser tratado como algo corriqueiro em nosso meio e nisso acredito que estamos todos de acordo.

12. Renovo minha satisfação por ter sido aluno desta Escola, por ter sido funcionário na Colina e por ter sido, inclusive de forma pública, uma pessoa que jamais se omitiu no momento em que pessoas com propósitos escusos tentaram promover atos antiéticos e danosos ao velho IAE.

13. Renovo, muito mais, minha esperança de que haja um movimento contra o avanço de tais posturas iníquas. Aí será possível asseverar que, ao contrário da USP e outros centros acadêmicos, houve uma ferrenha luta para coibir a ação dos biltres, dos mesmos ordinários que só fazem, reiteradamente, aquilo que é contra o Direito, porque encontram facilidade para a prática repetitiva dos delitos.

Deixo, de forma atenciosa, meus protestos de estima e de consideração.

Enéias Teles Borges
Pai e Advogado